30/12/2008

TAIJIQUAN _ Chen Taijiquan _ Pengjin

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Mestre Chen Xiaowang...




TAIJIQUAN _ Chen Taijiquan




Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line... sendo esta possivelmente a última publicação sobre os ensinamentos dentro desta escola _ e seguindo as explicações deste orientador...



"PENGJIN _ segundo o Mestre Chen Xiaowang
_ repr.

Quando o qi pode retornar de todo o corpo para o dantian, então o qi pode fluir do dantian para todo o corpo. Isto é pengjin.


Esta frase do Grão-Mestre Chen Xiaowang é uma descrição profunda da própria força do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). Pengjin é muitas vezes traduzido como a “força de aparar”, no entanto esta é apenas uma tradução possível e revela apenas um significado restrito do termo. Pengjin, num sentido mais amplo, como o explicado pelo Grão-Mestre, refere-se ao modo como o corpo se estrutura e gera força relaxadamente, e como o qi passa a circular livremente de modo complementar a isto.
É crucial observar que o ensinamento começa referindo-se ao retorno do qi para o dantian. O retorno do qi só pode acontecer se o corpo for treinado para relaxar. Somente se o qi puder retornar, então poderá fluir do centro para todo o corpo. Aqui é importante frisar que a circulação do qi é uma função natural do corpo humano, não é preciso dirigí-la ou forçá-la _ o mero movimento correcto é suficiente. Pelo contrário: o que é necessário fazer é treinar o corpo para se mover de modo natural e relaxado, eliminando os bloqueios para o retorno do qi, e então este fluirá naturalmente.
Este ensinamento do Grão-Mestre Chen Xiaowang também ilustra o facto de que a grande maioria dos erros do principiante na arte são de excesso e não de deficiência _ em geral o erro está em exercer excesso de força, e este é um dos motivos por que as instruções fundamentais são no sentido de relaxar. Ao relaxar uma musculatura que está a exercer um excesso de força obtêm-se dois efeitos: primeiro desbloqueia-se a musculatura em questão, e segundo a musculatura antagonista começa a exercer força relaxada e naturalmente. Estes dois efeitos juntos fazem com que a articulação envolvida volte à posição fisiológica permitindo o fluxo livre do qi.
Ou seja: ao contrário do que o principiante imagina, não se treina para enviar o qi para a palma. Treina-se para permitir o retorno desimpedido do qi (através do relaxamento). A ida do qi para a palma (ou qualquer outra parte) acontece naturalmente com a postura correcta e o movimento correcto. " E. M.
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...e o seu filho.



27/12/2008

TAIJI E PROFICIÊNCIA V _ Os Cinco Níveis De Habilidade No Taijiquan _ Parte V

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TAIJI e PROFICIÊNCIA V



OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO

TAIJIQUAN _ PARTE V
(repr.)



Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...
Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.
Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line.








"O quinto nível de gongfu (kung fu)



O quinto nível de gongfu (kung fu) é o estádio em que se muda de "comandar círculos pequenos" para "comandar círculos invisíveis", i.e., de dominar magistralmente a forma para executar a forma de modo invisível. De acordo com os clássicos do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), “com o fluxo contínuo e suave do qi, com o qi cósmico movendo o qi interno e natural da pessoa, mudando de uma forma fixa para a invisibilidade, a pessoa compreende como a natureza é maravilhosa”.

No quinto nível, as acções devem ser flexíveis e suaves, e deve haver jin interno suficiente. Contudo, ainda é necessário esforçar-se pelo melhor. É necessário trabalhar duramente todos os dias até que o corpo seja muito flexível e possa adaptar-se a mudanças multi-facetadas. Deve haver trocas internamente alternando entre o substancial e o insubstancial, mas estas devem ser invisíveis externamente. Somente então o quinto nível de gongfu (kung fu) terá sido atingido.

No que toca a habilidade marcial, neste nível o duro deve complementar o macio, a forma deve ser relaxada, dinâmica, ágil e viva. Todo movimento e todo instante estático está em acordo com o princípio do taiji, assim como os movimentos do corpo todo. Isto quer dizer que todas as partes do corpo devem ser muito sensíveis e reagir rapidamente quando a necessidade surge. Isto deve ser tão verdadeiro que qualquer parte do corpo pode agir como um punho para atacar a qualquer momento em que esteja em contacto com o corpo do adversário. Também deve haver troca constante entre expressar e conservar a força, e a postura deve ser firme como se estivesse apoiada por todos os lados.

Desta forma a descrição deste nível de gongfu (kung fu) é de que “somente quem pratica com 50% yin e 50% yang, sem nenhuma tendência ao yin ou ao yang, é chamado um bom mestre. Um bom mestre faz todo movimento de acordo com os princípios do taiji, que exigem que todo movimento seja invisível”.

Depois de completar o quinto nível de gongfu (kung fu) uma relação forte foi estabelecida entre a coordenação da mente, a contracção e o relaxamento dos músculos, os movimentos dos músculos e o funcionamento dos órgãos internos. Mesmo quando enfrentando um ataque repentino esta coordenação não será afectada, pois deve ser-se flexível para mudar. Mesmo então, deve continuar-se a buscar o aperfeiçoamento de modo a atingir maiores realizações." E. M.










TAIJI E PROFICIÊNCIA IV _ Os Cinco Níveis De Habilidade No Taijiquan

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TAIJI e PROFICIÊNCIA IV


OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO

TAIJIQUAN _ PARTE IV
(repr.)



Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...

Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.

Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line.




"O quarto nível de gongfu (kung fu)


Progredir do estádio com círculos médios para aquele com círculos pequenos é exigido pelo quarto nível de gongfu (kung fu). Este é um estádio próximo do sucesso e portanto de alto nível de gongfu (kung fu). Deve-se ter dominado o método eficaz de treino, ser capaz de compreender os pontos importantes de cada movimento e a habilidade marcial (de combate) implícita em cada um destes, ter um fluxo suave da energia interna (qi) e a coordenação das acções com a respiração. No entanto, durante a prática, cada passo e cada movimento das mãos deve ser executado tendo um oponente em mente, quer dizer, deve-se supor que se está cercado de inimigos. Em cada postura e cada forma todas as partes do corpo devem mover-se de maneira conectada e contínua de modo que todo o corpo se mova em uníssono. “Os movimentos da parte superior do corpo e da parte inferior do corpo são relacionados e deve haver um fluxo contínuo de qi estando o controle na cintura” [N. do T.: cintura neste contexto significa centro do corpo]. Desta maneira quando praticando a forma deve-se fazê-lo “como se houvesse um oponente embora não haja ninguém por perto”, e quando combatendo deve-se ter bravura ao mesmo tempo que ser cauteloso, comportando-se “como se não houvesse ninguém por perto embora haja alguém ali”.







O conteúdo do treino (formas e armas) é similar àquele do terceiro nível de gongfu (kung fu). Com perseverança, normalmente o quinto nível pode ser alcançado em mais três anos. Em termos de habilidade marcial o quarto nível difere muito do terceiro nível de gongfu (kung fu).

O objectivo do terceiro nível é dissolver a força do adversário e livrar-se dos conflitos nas próprias acções. Isto almeja habilitar o praticante a ter o papel activo enquanto força o oponente a ser passivo.

O quarto nível por outro lado habilita o praticante a dissolver tanto quanto a expressar força. Isto deve-se a que no quarto nível o praticante tem jin interno suficiente, mudanças flexíveis no yi e no qi e um sistema consolidado de movimentos corporais. Desta forma, durante o tuishou, um ataque do oponente não significa uma grande ameaça. Ao contacto com o oponente, o praticante pode mudar imediatamente sua própria acção e assim dissolver a força que vem dão seu encontro com facilidade, exibindo as características específicas de acompanhar os movimentos do oponente ainda que modificando suas próprias acções a todo o tempo, para contrapor-se às acções do oponente, exercendo a força exacta, ajustando-se internamente, prevendo as intenções do oponente, subjugando as próprias acções, expressando a força com precisão e acertando o alvo com precisão.

Assim, uma pessoa que atinge este nível de gongfu (kung fu) pode ser descrita como “40% yin, 60% yang, similar a um bom praticante”.












30/11/2008

TAIJI e PROFICIÊNCIA III _ OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO TAIJIQUAN _ PARTE III

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TAIJI e PROFICIÊNCIA III



OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO

TAIJIQUAN _ PARTE III


(repr.)




Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...

Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.

Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line.





"O terceiro nível de gongfu (kung fu)



“Se deseja melhorar na sua forma, tem que praticar para tornar os seus círculos menores”. Os degraus na prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) Chen envolvem progredir do domínio do círculo grande para o domínio do círculo médio, e do círculo médio para o círculo pequeno. A palavra “círculo” aqui não significa o caminho resultando dos movimentos dos membros, mas sim o fluxo harmonioso do qi. Neste sentido, o terceiro nível de gongfu (kung fu) é um estágio em que se começará com círculos grandes e se terminará com círculos médios (na circulação do qi).
O Clássico do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) mencionava que “yi e qi são superiores às formas”, o que significa que ao praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) deve-se colocar ênfase em usar yi (consciência). No primeiro nível de gongfu (kung fu), a mente e a concentração do praticante estão principalmente em aprender e dominar as formas externas do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). No segundo nível de gongfu (kung fu), o praticante deve se co
ncentrar em detectar conflitos ou descoordenação entre membros e o corpo e entre os movimentos externos e internos. Deve-se ajustar o corpo e as formas para assegurar um fluxo suave da energia interna qi. Quando progredindo para o terceiro nível de gongfu (kung fu), o praticante já deve ter a energia interna fluindo suavemente: o que é requerido é yi e não força bruta. Os movimentos devem ser leves mas não “flutuando”, e pesados mas não desajeitados. Isto implica que os movimentos aparentem maciez mas a força interna seja na verdade forte, ou que haja força implícita nos movimentos macios e que o corpo todo seja bem coordenado e que não existam movimentos irregulares. No entanto, não se deve prestar atenção apenas ao movimento do qi no corpo e negligenciar as acções externas, sob pena de parecer-se estar num transe e como resultado o fluxo interno do qi não apenas ficaria obstruído mas poderia também ser dispersado. Assim, como está escrito nos Clássicos sobre taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), “a atenção deve estar no espírito e não somente no qi, com excesso de ênfase no qi haverá estagnação (do qi)”.
Um praticante pode ter dominado as formas externas entre o primeiro e o segundo níveis de gongfu (kung fu), mas ele pode não ter atingindo a coordenação entre os movimentos externos e os internos. Algumas vezes, devido à rigidez ou estagnação das acções, não é possível inspirar completamente. Por outro lado, sem a coordenação apropriada entre os movimentos externos e internos, não é possível expirar completamente. Por isto, quando praticando a forma deve-se respirar naturalmente. Após entrar no terceiro nível de gongfu (kung fu) há uma melhor coordenação entre os movimentos externos e os internos. Assim, geralmente as acções podem ser sincronizadas com a respiração bastante precisamente. No entanto, é necessário sincronizar conscientemente a respiração com os movimentos para algumas acções mais rápidas, complicadas e refinadas. Isto é para melhor assegurar a coordenação entre a respiração e as acções de modo que ela gradualmente instale-se de modo natural.

O terceiro nível de gongfu (kung fu) envolve basicamente dominar os requisitos externos e internos do estilo Chen de taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) e o ritmo do exercício tanto quanto a habilidade de auto-correcção. O praticante pode também ser capaz de comandar as acções com mais facilidade e deverá possuir mais energia interna qi. Neste nível, é necessário compreender melhor a habilidade de combate implícita em cada forma e sua aplicação. Por isto, é necessário praticar tuishou, e verificar nas formas a qualidade e quantidade de força interna e a expressão da força tanto quanto a dissolução da força. O praticante adquire mais confiança conforme continua a praticar arduamente. Ele pode então aumentar sua rotina de exercícios e adicionar práticas complementares como bastão longo, espada ou sabre, lança e o exercício com a estaca, e praticar fajin (expressão da força). Com dois anos de prática contínua desta maneira, geralmente pode-se atingir o quarto nível de gongfu (kung fu).

Com o terceiro nível de gongfu (kung fu), embora haja um fluxo harmonioso da energia interna qi e as acções sejam melhor coordenadas, o qi ainda é fraco e a coordenação entre os movimentos dos músculos e o funcionamento dos órgãos internos não está suficientemente estabelecida. Enquanto praticando sozinho sem perturbações externas, o praticante pode conseguir coordenação entre o externo e o interno. Durante o tuishou de confronto e durante o combate, se a força do oponente é mais fraca e mais lenta, o praticante pode ser capaz de acompanhar o oponente e mudar as próprias acções de acordo, e de aproveitar quaisquer oportunidades para levar o oponente a uma situação desvantajosa; ou de evitar os movimentos firmes do oponente e de atacar quando houver qualquer fraqueza deste, manobrando com facilidade. No entanto, ao encontrar um oponente mais forte, o praticante pode sentir que seu pengjin é insuficiente, e que há uma sensação de que a própria postura está sendo pressionada e está prestes a colapsar (isto pode destruir a postura infalível, que se supõe ser impossível de inclinar ou declinar, e que é apoiada por todos os lados), e não pode manobrar conforme sua vontade. O estudante pode não atingir o que os Clássicos descrevem como “bater com os punhos sem que estes sejam vistos; uma vez visíveis, é impossível manipular”. Mesmo nas acções de dirigir para dentro e de expelir para fora o oponente, o estudante pode sentir-se rígido e muito esforço é necessário. Desta forma este estágio é descrito como “30% yin, 70% yang, ainda no lado duro”.
(este artigo foi publicado por Eduardo M. em13.12.04 / 21h )







26/10/2008

TAIJI e PROFICIÊNCIA II _ OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO TAIJIQUAN _ PARTE II

TAIJI e PROFICIÊNCIA II

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OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO


TAIJIQUAN _ PARTE II




Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...
Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.
Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line.





"Os cinco níveis de habilidade no taijiquan
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(parte II)
(reprodução)


O segundo nível de gongfu (kung fu)
O nível começando do último estágio do primeiro nível, quando o praticante pode sentir o movimento da energia interna qi, e que vai até o estágio inicial do terceiro nível, é chamado de segundo nível de gongfu (kung fu). O segundo nível de gongfu (kung fu) consiste em reduzir defeitos como: força jin rígida produzida durante a prática; força em excesso ou insuficiente e movimentos mal coordenados. O objectivo disto é garantir que a energia interna qi mover-se-á sistematicamente no corpo de acordo com as exigências de cada movimento. Eventualmente isto deve resultar no fluxo suave do qi dentro do corpo e numa boa coordenação do qi interno com os movimentos externos.
Após conquistar o primeiro nível de gongfu (kung fu), deve-se ser capaz de praticar com facilidade de acordo com os requisitos preliminares dos movimentos. O estudante é capaz de sentir o movimento da energia interna. No entanto, o estudante pode não ser capaz de controlar o fluxo de qi no corpo. Há duas razões para isto: primeiramente, o estudante não dominou precisamente os requisitos específicos para cada parte do corpo e a sua coordenação. Como um exemplo, se o peito estiver excessivamente relaxado para baixo, a cintura e as costas poderão não estar rectas, ou se a cintura estiver relaxada demais o peito e as nádegas podem ficar protuberantes. Assim, deve-se garantir estritamente que os requisitos para cada parte do corpo sejam obedecidos de modo que estas se movam em uníssono. Isto permitirá que o corpo se “feche” ou se una de uma maneira coordenada (que significa união coordenada externa e interna. União interna implica a união coordenada de: coração e mente, energia interna e força, tendões e ossos. União externa dos movimentos implica união coordenada de: mãos e pés, cotovelos e joelhos, e quadris e ombros). Simultaneamente deve haver um movimento de fechar igual e oposto de uma outra parte do corpo e vice-versa. Movimentos de abrir e fechar vêm juntos e complementam-se mutuamente. Secundariamente, quando praticando pode-se achar difícil controlar diferentes partes do corpo simultaneamente. Isto significa que uma parte do corpo pode estar se movendo mais rapidamente que as outras, o que resulta em exercer excesso de força; ou que uma parte pode estar se movendo mais lentamente que as outras ou sem força suficiente, o que resulta em não exercer força suficiente. Ambas as situações contradizem o princípio do taijquan. É requerido que todos os movimentos no taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) Chen não se desviem do princípio de ‘força de espiralar a seda’ ou chansijing. De acordo com a teoria do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), o ‘chansijing origina-se dos rins e em todo momento é encontrado em todas as partes do corpo’. No processo de aprender taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), o método de movimento de espiralar a seda (isto é, o método de movimento de torcer e espiralar) e a força de espiralar a seda (isto é, a força interna produzida pelo método de movimento de espiralar a seda), podem ser estritamente dominados através do relaxamento dos ombros e cotovelos, peito e cintura tanto quanto da região do huiyin e dos joelhos e usando a cintura como um pivô para mover todas as partes do corpo [nota do tradutor: neste contexto e a seguir, “cintura” refere-se ao centro do corpo, e não ao que chamamos de cintura no Ocidente]. Começando com uma rotação das mãos no sentido inverso, as mãos guiam os cotovelos que por sua vez guiam os ombros que por sua vez guiam a cintura (a parte da cintura correspondente ao lado do ombro que está sendo movimentado. Na verdade, o fato é que a cintura ainda é o pivô do movimento). Por outro lado, se as mãos giram no sentido directo, a cintura deve mover os ombros, os ombros movem os cotovelos, e os cotovelos por sua vez movem as mãos. Para a metade superior do corpo, os punhos e braços devem aparentar estarem girando; enquanto que para a metade inferior do corpo o tornozelo e a coxa devem parecer estarem rodando; enquanto o tronco, a cintura e as costas devem parecer estarem virando. Combinando os movimentos das três partes do corpo devemos visualizar uma curva rodando no espaço. Esta curva origina-se nas pernas, tem o centro na cintura e termina nos dedos. Na prática da forma, se alguém se sente desajeitado durante um movimento, deve ajustar a cintura e as coxas de acordo com a sequência de fluxo do chansijing para atingir coordenação. Desta maneira, qualquer erro pode ser corrigido. Assim, enquanto presta atenção aos requisitos para cada parte do corpo para atingir total coordenação do corpo todo, o domínio do ritmo do método de movimento de espiralar a seda e da força de espiralar a seda é a maneira de resolver conflitos e auto-corrigir qualquer erro ao praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) após atingir o segundo nível de gongfu (kung fu).
No primeiro nível de gongfu (kung fu), começa-se aprendendo as formas, e quando se está familiarizado com as formas, o estudante pode sentir o movimento da energia interna no corpo. O estudante pode ficar muito entusiasmado e nunca sentir-se cansado ou entediado. No entanto, ao entrar no segundo nível de gongfu (kung fu), o estudante pode sentir que não há nada de novo para aprender e ao mesmo tempo enganar-se quanto a certos pontos importantes. O estudante pode não ter dominado estes pontos principais com precisão e assim achar os movimentos destes desajeitados. Ou, por outro lado, o estudante pode achar que pode praticar a forma fluidamente e expressar força com muito vigor, mas não consegue aplicá-la durante o tuishou. Por causa disso, pode sentir-se entediado em breve, perder a auto-confiança e desistir totalmente. A única maneira de atingir o estágio onde se consegue: produzir a quantidade certa de força, nem muito macia nem muito dura; mudar as acções segundo se deseja; e girar com facilidade, é ser persistente e aderir estritamente aos princípios. Deve-se treinar duro a forma para que os movimentos do corpo estejam bem coordenados, e com ‘um único movimento pode-se activar movimentos em todas as partes do corpo’, estabelecendo então um sistema completo de movimentos. Há um ditado comum: ’se o princípio não é claramente compreendido, consulte um professor, se o caminho não é claramente visível, busque ajuda de amigos’. Quando os princípios e os métodos são claramente compreendidos, com a prática constante eventualmente o sucesso será obtido. Os clássicos do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) afirmam que ‘todos podem atingir o supremo, se se trabalhar arduamente”. E “se se persistir, finalmente atingir-se-á a transformação súbita”.
Geralmente, a maioria das pessoas pode adquirir o segundo nível de gongfu (kung fu) em aproximadamente quatro anos. Quando se atinge o estádio de poder experimentar um fluxo contínuo de qi no corpo, subitamente compreende-se o comando do qi totalmente. Quando isto acontece, fica-se cheio de entusiasmo e confiança e continua-se praticando. Pode-se mesmo sentir uma vontade forte de praticar continuamente, sem parar.
No início do segundo nível de gongfu (kung fu) a habilidade marcial atingida é aproximadamente a mesma que no primeiro nível de gongfu (kung fu). Ela não é suficiente para aplicação real. No final do segundo nível de gongfu (kung fu) está-se próximo de atingir o terceiro nível de gongfu (kung fu), e assim a habilidade marcial pode ser aplicável em uma certa extensão.
Os próximos parágrafos descrevem a habilidade marcial que seria atingível no meio do segundo nível de gongfu (kung fu) (assim como nos artigos seguintes para o terceiro, quarto e quinto níveis de gongfu (kung fu). Eles são discutidos com referência à habilidade atingível no meio de cada nível).







tuishou e a prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) são inseparáveis. Quaisquer defeitos que se tenha na prática da forma aparecerão como fraquezas durante o tuishou, dando oportunidade ao oponente de aproveitar-se delas. Por causa disto, ao praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) todas as partes do corpo devem estar bem coordenadas com o resto, e não deve haver quaisquer movimentos desnecessários. O tuishou requer que repelir, agarrar, pressionar e empurrar para baixo sejam executados tão precisamente que as partes superior e inferior do corpo movam-se coordenadamente e então seja difícil para o oponente atacar. Como diz o ditado, ‘não importa quão grande seja a força sobre mim, eu mobilizo quatro onças de força para deflectir mil libras de força’. O segundo nível de gongfu (kung fu) almeja atingir um fluxo contínuo de qi no corpo através da correcção das posturas de modo a atingir o estádio no qual o qi penetre todo o corpo passando por todas as juntas como se estivesse sequencialmente ligado. No entanto, o processo de ajustar as posturas envolve movimentos desnecessários ou descoordenados. Assim, nesse estádio, não é possível aplicar a habilidade marcial à vontade durante o tuishou. O oponente concentrar-se-á em procurar por estas fraquezas, ou ele pode ganhar ao surpreender o praticante cometendo erros como forçar em excesso, colapsar, atirar e confrontar força. Durante o tuishou, o avanço do oponente não permitirá que se tenha tempo para ajustar os próprios movimentos. O oponente fará uso do seu ponto fraco para atacar de modo que se perca o equilíbrio ou se seja forçado a recuar para repelir a força que avança. No entanto, se o oponente avança com menos força ou mais lentamente, pode haver tempo ou oportunidade para fazer ajustes e pode ser possível repelir o ataque de maneira mais satisfatória. Da discussão acima, para o segundo nível de gongfu (kung fu), depreende-se que quando se está atacando ou bloqueando um ataque, muito esforço é necessário. Frequentemente será uma vantagem fazer o primeiro movimento, aquele que se move depois estará em desvantagem. Neste nível, não é possivel ‘esquecer-se’ de si mesmo e ‘jogar com o oponente’ (não atacar mas ceder ao movimento do oponente); não é possível aproveitar uma oportunidade e responder à mudança. Pode-se ser hábil o suficiente para se mover e repelir um ataque, mas pode-se cometer erros facilmente como atirar, colapsar, forçar em excesso ou confrontar força. Por causa disso, durante o tuishou, não é possível mover-se de acordo com a sequência de repelir, agarrar, pressionar e empurrar para baixo. Alguém com este nível de habilidade é descrito como ‘20% yin, 80% yang: um novato indisciplinado’. " (Publicado em 31.08.04)



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25/08/2008

TAIJI e PROFICIÊNCIA: Os cinco níveis de habilidade no Taijiquan - Parte I

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TAIJI e PROFICIÊNCIA:







Os cinco níveis de habilidade no



Taijiquan



- Parte I

Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...


Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.


Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line.





Os cinco níveis de habilidade
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no Taijiquan

Parte I




Introdução

"Aprender taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é em princípio semelhante a educar-se; progredindo da educação primária à universidade, quando se adquire cada vez mais conhecimento. Sem os fundamentos da educação primária e secundária, não é possível acompanhar os cursos no nível universitário. Para aprender taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é necessário começar do elementar e progredir gradualmente para o estágio adiantado, de nível em nível e de uma maneira sistemática. Se alguém vai contra este princípiimaginando que é possível tomar um atalho, não obterá sucesso. Todo o progresso na aprendizagem do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), desde o início até a obtenção do sucesso consiste em cinco estágios ou cinco níveis de habilidade marcial (gongfu (kung fu)). Existem padrões objectivos para cada nível de gongfu (kung fu). O mais alto é atingido no quinto nível.
Os padrões objectivos e os requisitos de habilidade marcial para cada nível de gongfu (kung fu) serão descritos nas secções seguintes. Espera-se que com isto os muitos entusiastas por todo o mundo possam avaliar por si mesmos o seu nível actual de realização. Eles saberão então o que precisam aprender a seguir e avançarão passo a passo.


O primeiro nível de gongfu (kung fu)

Na prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), os requisitos para as diferentes partes do corpo são: manter o corpo recto; manter a cabeça e o pescoço erectos com consciência do topo da cabeça, como se se estivesse sendo levemente levantado por um fio; relaxar os ombros e afundar os cotovelos; relaxar o peito e a cintura deixando que eles afundem; relaxar a região do huiyin e flexionar os joelhos. Quando estes requisitos são atingidos, a energia interna da pessoa naturalmente afunda para o dantian. Principiantes podem não conseguir dominar estes pontos importantes inicialmente. No entanto, na sua prática eles devem tentar ser precisos em termos de direcção, ângulo, posição, e dos movimentos das mãos e das pernas para cada postura. Neste estágio, não é necessário enfatizar demais os requisitos para cada parte do corpo, simplificações apropriadas são aceitáveis. Por exemplo, para a cabeça e a parte superior do corpo, é requerido que a cabeça e o pescoço estejam erectos, o peito e a cintura relaxados para baixo, mas no primeiro nível de gongfu (kung fu) é suficiente certificar-se de que a cabeça e o corpo estão naturalmente erectos, sem inclinar-se para a frente nem para trás, para a esquerda ou para a direita. Isto é como aprender caligrafia, no início é necessário apenas certificar-se de que os traços estejam certos. Portanto, quando praticando taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), no início o corpo e os movimentos podem parecer rígidos, ou “externamente sólidos mas internamente vazios”. O praticante fazer coisas como: bater com dureza, bater com força, subir repentinamente, ou colapso repentino do corpo ou tronco. Pode haver ainda força ou jin quebrada ou exercida em exagero. Todos estes erros são comuns para principiantes. Se se é suficientemente persistente e se se pratica com seriedade todos os dias, pode-se normalmente dominar a forma em um ano. A energia interna, qi, pode gradualmente ser induzida a mover-se dentro do tronco e dos membros através de refinamentos nos movimentos. Pode-se então atingir o estágio de ‘usar os movimentos externos para canalizar a energia interna’. O primeiro nível de gongfu (kung fu) então começa com dominar as posturas e vai gradualmente até ser capaz de perceber e compreender o jin ou força.

A habilidade marcial alcançável com o primeiro nível de gongfu (kung fu) é muito limitada. Isto porque neste estágio as acções do praticante não são bem coordenadas e sistemáticas. As posturas podem não ser correctas. Assim a força ou jin produzida podem ser rígida, quebrada ou frouxa, ou por outro lado forte demais. Ao praticar a forma, esta pode parecer oca ou angulosa. Deste modo o praticante pode sentir a energia interna mas não é capaz de canalizá-la para qualquer parte do corpo de uma só vez. Consequentemente ele não será capaz de apreender a força ou jin desde os calcanhares, canalizá-la pelas pernas e descarregá-la pelo comando da cintura. Pelo contrário, os principiantes podem apenas produzir força que transborda de uma secção para outra do corpo. Assim o primeiro nível de gongfu (kung fu) é insuficiente para a finalidade de aplicação marcial. Se o praticante fosse testar sua habilidade contra alguém que não conhecesse artes marciais, ele poderia permanecer flexível até um certo ponto. Ele poderia não ter dominado a aplicação mas por saber como iludir seu oponente poderia ocasionalmente derrubá-lo. Mesmo assim, ele poderia ser incapaz de manter seu equilíbrio. Esta situação é chamada de “10% yin e 90% yang, bastão pesado no alto”.
O que então exactamente é yin e yang ? No contexto da prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), vazio é yin, solidez é yang; suavidade e macieza são yin, força e dureza são yang. yin e yang é a unidade dos opostos; nenhum deles pode ser deixado de fora; e ainda ambos podem ser mutuamente transformados e intercambiados. Se nós atribuirmos um máximo de 100% para medir cada um deles, quando alguém em sua prática consegue atingir um equilíbrio equitativo de yin e yang, diz-se que atingiu 50% de yin e 50% de yang. Este é o padrão mais alto ou uma indicação de sucesso na prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). No primeiro nível de gongfu (kung fu), é normal que se tenha “10% de yin e 90% de yang“. Isto é, o seu quan ou box é mais duro do que macio e existe desequilíbrio entre yin e yang. Desta forma, enquanto ainda no primeiro nível, os aprendizes não devem ficar ansiosos em compreender o aspecto da aplicação de cada postura. "
Em: " Os cinco níveis de habilidade no Taijiquan" _ Eduardo Molon (adapt.)





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31/07/2008

CHANSIJIN _ A FORÇA EM ESPIRAL







A Força Em Espiral



Cá me encontro de novo, continuando a tentar ser semente de uma prática que é, a meus olhos, uma actividade de eleição entre muitas _ só para mostrar a minha boa vontade em considerar esta arte não só como passível de múltiplos tipos de abordagem mas, também e sobretudo, de ser tratada e praticada sem complicações e/ou mistificações que por vezes afastam alguns curiosos, impedindo-os de virem a usufruir de todas as mais-valias que ela aporta.
Infelizmente, por razões que não são para aqui chamadas, não me considero competente para fazer uma apresentação directa sem suscitar possíveis dúvidas acerca da qualidade em que o faria, para além de fiel adepta e executante.
De novo vou, por conseguinte, fazer recurso a uma fonte que seleccionei entre várias a que tive acesso, por me parecer mais próxima da compreensão e experiência que pude vivenciar. Assim, de notas publicadas em 12/09/05, por Eduardo Molon, e com leves adaptações, segue-se o seguinte excerto:


Chansijin - a força em espiral



Todo o sistema marcial, além de outros componentes, inclui um método para gerar força mecânica. Este método pode ser básico, como, por exemplo, utilizar apenas a força muscular do membro directamente envolvido num movimento: a força do braço para desferir um soco, ou a força de uma perna para desferir um pontapé. Pode ser um pouco mais elaborado, como no caso de se usar a inércia do corpo para aumentar a força de um golpe: por exemplo, girar o corpo em torno do eixo vertical enquanto se desfere um soco, para aumentar a velocidade do punho, e consequentemente o momentum do mesmo, tornando o seu impacto mais eficiente. O objectivo de um método para aumentar a força do corpo além daquela imediatamente disponível à primeira vista é óbvio: contra um inimigo minimamente treinado apenas técnicas de alavanca serão insuficientes, é necessário que a força que opera a alavanca seja suficientemente grande para tornar a técnica aplicada irresistível, ou o impacto de uma pancada devastador.
As artes marciais na China e no Japão alcançaram um nível de grande profundidade no que respeita ao método de gerar força. Tanto as artes marciais ditas externas quanto as ditas internas desenvolveram métodos altamente detalhados e precisos de mover toda a força disponível no corpo e concentrá-la de modo focalizado no ponto de aplicação, seja numa chave, seja num impacto. A elaboração cada vez mais refinada destes métodos pode ter sido um factor contribuinte para a composição de uma das facetas do conceito de qi. Os exercícios disponíveis podem ser chamados, às vezes de modo equivalente, qigong (chi kung) ou neigong, termos que significam "trabalho sobre o qi" ou "trabalho interno". No taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) pode dizer-se que dois exercícios compõem o qigong (chi kung) básico: zhanzhuang (zhan zhuang) e chansijing.

Desenrolar o fio de seda
Chansijin significa literalmente "desenrolar o fio de seda". Chansijin é na verdade o princípio de movimento que deve estar constantemente presente durante a execução da laojia, e de qualquer outra forma ou movimento do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). Antigamente não existia um treino em separado de chansijing; o princípio era praticado durante a repetição das formas, e aprendido naturalmente. Ocorre que no passado o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) era ensinado somente dentro do meio familiar e a dedicação exigida era de tempo integral_ o número de repetições da laojia que um aluno realizava chegava a 30 por dia. Mas na actualidade o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) passou a ser ensinado a amadores, e a dedicação menor destes tornou muito difícil que aprendessem o princípio de movimento durante as formas, devido à grande complexidade do movimento do corpo durante as mesmas. Os Grão-Mestres da actual geração resolveram então oferecer uma didáctica mais apelativa, e criaram, a partir dos movimentos das formas, exercícios isolados com o objectivo de ensinar o chansijing de maneira mais directa.
O movimento do centro do corpo pode ser didacticamente explicado como se fosse realizado em torno de dois eixos imaginários distintos: um movimento em torno do eixo que passa pelo dantian (logo abaixo do umbigo), em direcção à frente e paralelo ao chão, e outro em torno do eixo que passa de um lado ao outro dos quadris, também paralelo ao chão. Esta divisão, deve-se frisar, é didáctica e não deve ser tomada rigidamente pelo aluno, pois durante as formas o movimento do corpo é realizado, na maioria das vezes, em torno dos dois eixos simultaneamente. Além disso, o movimento em torno do segundo eixo supracitado requer um grau de evolução bastante avançado para o aluno médio. O chansijing é um exercício repetitivo, que é praticado exaustivamente de modo a treinar o corpo em duas habilidades: primeiro, em manter a força interna durante o movimento e não apenas durante o zhanzhuang (zhan zhuang); segundo, em desenvolver a força em espiral. Existem vários tipos de exercícios compondo o chansijing, escolhidos para treinar a espiral em torno dos dois eixos separadamente e também simultaneamente. Estas são algumas fotografias do Grão-Mestre Chen Xiaowang demonstrando o primeiro tipo de chansijing:

O nome chansijing é uma referência ao acto de desenrolar o fio de seda de um casulo de bicho-da-seda, e é usado porque durante este exercício é necessário manter um grau exacto de força e relaxamento, pois se for usado um excesso de força o qi emaranha-se, mas se for usado excesso de relaxamento parte-se a conexão. Mas o que significa fio de seda, na prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan)?
Força em espiral quer dizer que a força que é desenvolvida pelo corpo durante a prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) enrosca-se em torno dos membros, e não é simplesmente a extensão ou flexão de uma articulação com alguns músculos agindo para mover uma alavanca, mesmo quando o movimento resultante, visto por um observador externo, parece rectilíneo. Um soco, desta forma, não se limita à extensão do braço e antebraço causada pela contracção do tríceps, e nem é suficiente incluir na análise o movimento do tronco em torno do eixo vertical ­_estas são simplificações que nem arranham a superfície do que é a força em espiral. A espiral começa dentro do centro do corpo, e o praticante com alguma experiência pode sentir que o movimento do braço em torno do seu próprio eixo é causado, comandado, e está mecanicamente ligado ao movimento do centro do corpo, que se reflecte no movimento da musculatura da região em torno das articulações coxo-femurais, se espalha pela região lombar e pelo abdómen, pela região dorsal e peito, e finalmente se expressa pelo braço e punho. Ao mesmo tempo, a mesma espiral propaga-se pelos dois lados do corpo e por ambas as pernas - quando uma parte do corpo se move, todo o corpo se move em consonância, num movimento único. A espiral deste exemplo, por sinal, não é em torno do eixo vertical, embora o tronco termine girando em torno de um eixo vertical _ a espiral de força neste caso é, a grosso modo e na região do centro do corpo, em torno do eixo que passa pelo dantian paralelamente ao chão. O tronco está girando em torno da vertical, se olhado do exterior, mas a musculatura interna ao corpo está girando em torno de si mesma, de acordo com a direcção de cada feixe. Desta forma é fácil verificar que a espiral a que nos referimos não é o movimento circular visível externamente, mas sim o movimento muito pequeno dos músculos dentro do corpo.
Aquilo a que se chama fio de seda é o que liga mecanicamente as espirais dos inúmeros feixes de músculos do corpo, e que faz com que todas estas espirais sejam um só movimento, uma só espiral. Alguns pensam que desenrolar o fio de seda refere-se à aparência circular do movimento das mãos durante os exercícios, mas isto é um erro. Fio de seda refere-se às conexões dentro do corpo que são treinadas pelos exercícios. A rigor estas conexões são chamadas harmonias externas, e fazem parte das seis harmonias. Elas são ditas externas porque envolvem a parte material e visível do corpo, e são: as mãos estão em conexão com os pés, os cotovelos estão em conexão com os joelhos, e os ombros estão em conexão com os quadris. O fio de seda é o que torna estas conexões reais e concretas, e não apenas fruto da imaginação. O movimento dos ombros e quadris, uma vez que estas partes sejam unidas pelo fio de seda, passa a ser mecanicamente ligado (o mesmo ocorre com as mãos e os pés, os cotovelos e os joelhos). O fio de seda é esta ligação mecânica. Uma vez conectado o fio de seda, ele é muito frágil, e qualquer pequena perturbação pode quebrá-lo: no início basta uma mínima distracção da concentração do aluno. Com o passar dos anos de treino, o fio de seda se fortalece, e passa a ser uma característica natural da postura do aluno, mas ainda é possível quebrar a conexão com um empurrão, por exemplo. Mas o potencial de fortalecimento do corpo conectado pelos fios de seda é muito superior ao do corpo que sabe usar apenas o membro directamente envolvido em um movimento. Conforme o aluno progride o fio de seda fica cada vez mais forte, até que nem mesmo um oponente forte pode parti-lo. É neste ponto que começa a ser possível aplicar as técnicas do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). (...) "



BOM PROVEITO!

24/06/2008

"O Conceito de QI no Taijiquan" e "Taijiquan: Um Sistema Completo"

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O Conceito de QI no Taijiquan

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Taijiquan: Um Sistema Completo...



É muito difícil, para mim, abordar o que se passa com a prática do Taiji/ Tai Chi sem parecer que estou a falar de ficção...ou experiências transcendentais_ para não dizer esotéricas. Claro que isso só iria acontecer com quem se encontra do lado de fora da prática desta actividade, mas será, em princípio, o perfil de um qualquer leitor-tipo que por aqui se passeie, dado que esta arte/actividade ainda se encontra, infelizmente, pouco disseminada.

E saliento, novamente, "exterior à prática", pois mesmo aquele que se dedicou a ler, "estudar" ou simplesmente a interessar-se sobre esta matéria, seja por que motivo for: a curiosidade, a vontade de saber, a associação a outras áreas de conhecimento que poderão ser periféricas ou relacionadas_ não poderá saber, realmente, o que acontece durante e, sobretudo, após um certo tempo de prática persistente e extensiva no tempo, sem o experimentar e vivenciar pessoalmente. Uma adepta desta actividade, a actriz Gillian Anderson, explicava assim numa entrevista a sua escolha: "Eu pratico Tai Chi porque é a maneira de sentir que voo" ( e não me parece que estivesse a fazer publicidade a uma certa bebida...).
Assim, vou novamente recorrer às explicações de um praticante e conhecedor, nesta matéria, cujos escritos já há algum tempo encontrei por estas redes, e que conseguiu, na minha modesta opinião, transmitir um pouco do que se passa, de um modo simples mas também tecnicamente explícito, Eduardo Molon.

O conceito de qi (energia) no taijiquan


A escrita chinesa é composta de pictogramas que expressam idéias, chamados ideogramas. Isto evidencia uma forma de pensar e de transmitir estas idéias diversa da forma como estamos habituados no Ocidente, o que cria dificuldades imensas de tradução da língua chinesa, seja em textos ou na transmissão oral. A situação fica ainda mais complexa quando as idéias que se está a tentar transmitir pertencem a um campo altamente técnico, e esta complexidade é multiplicada no caso das artes marcias chinesas pois os textos escritos são normalmente muito antigos. Estes textos, além de utilizarem ideogramas que já foram transformados pelo tempo, eram escritos de forma que o seu conteúdo não fosse imediatamente acessível a um leigo, e mais ainda: de forma que, mesmo para um estudante, o significado do texto fosse sendo revelado em camadas cada vez mais profundas de conhecimento.
Um dos conceitos pior compreendidos no taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é o conceito de qi (pronunciado “tchi”). O ideograma para qi foi traduzido de várias formas, mas a que mais se popularizou, em parte devido ao pioneirismo, foi a de “energia”. Esta tradução tem sido usada em Medicina Tradicional Chinesa e em taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) pelo mundo a fora, e contribui para a confusão a respeito do significado de qi, que tem significados diferentes dependendo do contexto em que é utilizado. Mas o nosso objectivo aqui não é discutir qual a melhor tradução em determinado contexto, e nem mesmo especular sobre a existência ou não de uma energia ou de um sopro vital que seja importante para a prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). Pelo contrário: tais especulações tendem a alimentar a mistificação em torno desta arte, e que é tão contraproducente para a sua aprendizagem concreta. Demonstraremos através de dois exemplos familiares ao pensamento ocidental que a mistificação é desnecessária, e vamos propor uma abordagem prática do conceito de qi.


Aquilo que se chama de qi em taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), e que é habitualmente traduzido por energia, não tem absolutamente nada a ver com o que significa energia em termos físicos( da Física). Além disso não é possível medir ou detectar o qi, o que inevitavelmente levanta a questão sobre a sua existência _ então chegamos ao ponto central: não é de nenhuma forma necessário acreditar na existência real do qi para praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), para desenvolver força interna e nem para alcançar níveis mais avançados no taijiquan (taichichuan, tai chi chuan).Qi, no contexto da prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é, num nível mais superficial, simplesmente uma sensação ou um conjunto de sensações produzidas pelo exercício executado seguindo a técnica correcta. O facto de tais sensações existirem e de serem de alguma forma úteis à aprendizagem não quer dizer que exista qi _ o conceito de qi pode ser tratado como sendo uma construção teórica apenas. Esclarecemos com um exemplo prático: quando dizemos “está frio” e “está calor”, isto não quer dizer que exista uma grandeza física chamada frio e uma outra chamada calor. Apenas para começar, podemos dizer que frio é uma sensação causada pela ausência de calor. Prosseguimos lembrando que calor também é apenas uma sensação, que na história da ciência já se chegou a acreditar na existência de uma substância chamada calórico, e que hoje sabemos que uma temperatura elevada é uma das muitas formas de verificar energia (no sentido de Física) num sistema. No entanto, falar em calor e frio serve-nos do ponto de vista prático, e o mesmo se aplica ao falar em qi.

Num estádio mais avançado de treino do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) o conceito de qi adquire uma importância maior. A sua utilidade passa a ser a de uma interface entre a mente e o corpo, quando a habilidade do praticante atinge um determinado ponto.Usando novamente um exemplo científico: crê-se actualmente que é possível em princípio descrever todas as reacções químicas utilizando-se o aparato teórico apenas da Física. Mas por que dizemos em princípio? Porque mesmo as reacções químicas mais simples são tão complicadas de serem descritas que, embora o corpo teórico oferecido pela Física seja suficiente para descrevê-las, o problema prático de fazê-lo é intratável. De uma forma parecida poderíamos adoptar a hipótese de que todos os movimentos do corpo são em princípio passíveis de serem descritos mecanicamente, em termos dos músculos, tendões e articulações envolvidos. Mas mesmo que isso seja possível, na prática é impossível aprender a realizar estes movimentos com o seu próprio corpo, especialmente num grau de precisão e harmonia como no taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), sem usar o conceito do qi.
Assim podemos supor que o qi exista ou que não exista, mas isto é irrelevante para a prática. Quem assim preferir pode até mesmo por simplicidade supor que o qi não exista num sentido concreto. O que é relevante é que para aprender taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) o praticante deve, durante o treino dos movimentos, tratar o qi como se este tivesse existência real. Isto é necessário para que ele possa atingir a integração dos movimentos do corpo em um só movimento, e aumentar indefinidamente o refinamento deste movimento único. Não pretendemos nem desejamos passar a impressão de que taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é algo científico, longe disso. Mas queremos deixar claro que esoterismos são supérfluos e que todo o conhecimento contido no taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é empírico e vem de uma herança milenar de cultura corporal que antecede a sua criação, e que foi enriquecida por séculos de treino dedicado de várias gerações da família Chen.

Taijiquan, um sistema completo

O taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), como arte marcial, é um sistema completo de treino. Isto significa que possui um conteúdo auto-suficiente, que inclui (mas não se limita a) um método para gerar força mecânica, treinos específicos para aplicação, treinos com armas tradicionais, uma didáctica sistematizada, uma filosofia e uma teoria próprias. Desta forma o tajiquan dispensa totalmente quaisquer treinos complementares, chineses ou não.

Método para gerar força
O taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) está todo estruturado sobre o conceito de força interna, que significa usar a musculatura interna do corpo e torná-la forte. A expressão força interna é frequentemente mal compreendida e interpretada como se fizesse referência a algo místico ou etéreo, mas na verdade se o treino for correcto, os seus músculos e tendões profundos, que são pouco atingidos com exercícios normais, serão exercitados e fortalecidos, você será treinado a usá-los naturalmente para realizar os movimentos. Existe um método simples, objectivo e eficaz para conseguir gerar força interna, este método consiste em relaxar tanto quanto possível mantendo a postura correcta do corpo, que é ajustada milimetricamente pelo professor; o efeito deste treino é modificar a forma como o seu corpo se sustenta e se move. Por isto não apenas não é necessário fazer qualquer exercício estranho ao sistema para aumentar a sua força física, como é prejudicial à aprendizagem, pois você faria estes exercícios usando o seu modo habitual de exercer força, justamente o modo que está a tentar abandonar em troca de um modo novo. Da mesma forma é contraproducente praticar formas de outros sistemas marciais, pois o modo de empregar o corpo para gerar força é diferente. Mesmo artes também internas como xingyiquan (hsing i chuan) e baguazhang (pa kua chang) empregam métodos próprios e diferentes do método do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) para conseguir gerar força interna.

Treinos para aplicação
É muito comum o praticante ficar ansioso por aprender as aplicações dos movimentos da forma, e frustrar-se com a demora em chegar a este ponto. Também é comum ver aplicações de movimentos serem ensinadas sem nenhum proveito. Não é possível insistir excessivamente em que o ponto central do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é a geração de força interna. As aplicações práticas dos movimentos são tão comuns quanto possível, e existem dúzias de livros disponíveis sobre taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) ensinando chaves e golpes diversos, todos eles inúteis se o praticante não souber gerar força. Por isto é igualmente inútil tentar incorporar treinos marciais estranhos ao sistema, pois o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) só é eficaz na medida em que a postura correcta e a posição relativa do corpo permitem a geração da força interna que é o que torna uma aplicação eficaz.

Treinos com armas tradicionais

Desde Chen Wangting, e com o passar das gerações da família Chen, foram sendo incorporadas e aperfeiçoadas ao sistema formas com armas como espada, sabre, bastão longo, lança e várias outras. As formas com armas que hoje compõem o sistema do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) são muitas, no entanto cada uma tem o seu lugar específico no treino do corpo, e absolutamente todas elas se conformam ao princípio de movimento do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). Podemos citar, a título de exemplo: a forma com sabre costuma ser ensinada cedo no currículo de treino para melhorar a habilidade dos passos do praticante. Isto mostra porque não é apropriado praticar com armas alheias ao sistema: os movimentos da forma não foram adaptados ao modo de mover-se próprio do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan).

Treinos aeróbicos (cardiovasculares) Uma preocupação frequente do praticante de taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é a respeito do treino aeróbico - melhor dizendo, do condicionamento cardio-vascular, uma vez que a forma tradicional parece lenta e não se atinge em geral a frequência de batimento cardíaco da faixa “aeróbica”. Esta preocupação deve-se ao desconhecimento de dois factos: primeiro, a forma lenta do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é considerada um exercício cardiovascular de intensidade moderada, o que além de ser saudável já satisfaz as necessidades da maioria das pessoas. (Existem pesquisas a este respeito).Em segundo lugar, o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) não tem somente a forma lenta que se vê normalmente praticada nas praças e parques. O taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) criado pelos Chen possui, para ficar somente no âmbito da laojia, a forma chamada paochui, que é praticada em alta velocidade e inclui saltos e movimentos explosivos em profusão. Ocorre que a imensa maioria dos praticantes não atinge a habilidade necessária para sequer começar a aprender esta forma.

Alongamento e flexibilidade Não chega a ser prejudicial praticar alongamentos e exercícios para aumentar a flexibilidade, porém a sua utilidade é limitada. Para atingir os músculos na proporção e extensão correctas seria necessário manter a postura e os alinhamentos articulares correctos, e tentar apenas esticar-se ao máximo não chega nem perto disso. Além disso, as posturas do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) que aparentemente exigem muito alongamento, na verdade são difíceis de realizar não por este motivo, mas porque na verdade o praticante não tem força para se manter na postura correcta. O tempo será melhor empregue se for usado para praticar a forma, e a flexibilidade aumentará natural e gradualmente.

Exercícios de qigong (chi kung) Os exercícios chamados de qigong (chi kung) existem aos milhares e em grande variedade no repertório de técnicas corporais chinesas. Há exercícios de qigong (chi kung) para quase todas as finalidades que se possa imaginar, desde activar glândulas no corpo até para estimular o processo mental de meditação, passando por exercícios que visam desenvolver habilidades marciais como quebrar pedras ou tornar diversas partes do corpo resistentes a pancadas. Todos estes exercícios são dispensáveis e estranhos ao sistema do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), e a maioria deles pode ser prejudicial ao treino, sendo alguns prejudicias até mesmo à saúde. O que o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) fez com as formas de combate de que muito herdou foi torná-las mais “suaves” externamente porém mais fortes internamente. O que o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) fez com os métodos que existiam para gerar força antes da sua criação foi torná-los mais “macios” e indirectos, e de resultado mais lento porém mais intenso. O que o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) fez com os exercícios de duna e de daoyin (tipos de qigong (chi kung)) que influenciaram a sua forma foi exactamente o mesmo. Os métodos de qigong (chi kung) directos e “duros” foram incorporados e tornados “suaves” e indirectos, porém com resultado mais forte, ainda que mais demorado. Ao praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), pratica-se naturalmente o qigong (chi kung) apropriado. Praticar qualquer exercício de qigong (chi kung) estranho ao sistema, mesmo que compatível, representa na verdade um retrocesso a métodos que o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) aprimorou e tornou desnecessários ou ultrapassados.

Meditação e concentração
Da mesma forma, não é necessário praticar qualquer tipo de exercício de meditação ou de concentração como acessório à prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). Os processos de treino de concentração mental e de união da mente ao corpo _ um dos muitos motivos pelos quais o taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é procurado actualmente _ estão naturalmente integrados no sistema. Na verdade de uma forma bastante simples: para modificar a forma como o corpo se movimenta e gera força é necessária uma aplicação mental bastante grande, e a presença da mente é tanto mais necessária quanto mais se progride no treino. Desta forma a capacidade de concentração aumenta gradativamente conforme aumenta a habilidade do corpo. A força interna é gerada naturalmente pela postura correcta do corpo, e a concentração e a combinação da mente com o corpo são geradas naturalmente pela compreensão correcta do método do treino.

Didáctica moderna
Existe um nível mínimo abaixo do qual não é possível simplificar o treino do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). Há poucas gerações o treino mais básico possível era repetir à exaustão o primeiro encadeamento do laojia. Textos de vários professores e a tradição oral falam em treinar um mínimo de dez mil vezes a forma para ter uma noção do que se trata(está em causa) no taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). Se o praticante se dedicar a treinar dez vezes por dia a forma, o que significa em torno de 4h diárias de treino, levará 3 anos para ter uma compreensão básica da mesma. A geração actual de grandes mestres (Chen Xiaowang, Chen Zhenglei, Wang Xian e Zhu Tiancai) criou uma didáctica modernizada com o objectivo de atender à exigência do homem moderno por uma didáctica menos espartana. No entanto, não é possível simplificar a prática a ponto de, por exemplo, fazer apenas os movimentos com os braços, pois isto contraria o princípio fundamental do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), que é de o centro do corpo mover-se e todo o resto do corpo segui-lo.

Como praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) Com isto tudo esperamos ter tornado claro o seguinte: se quer aprender taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), pratique apenas taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). Por mais óbvio que pareça esta afirmação, ela é necessária, pois não parece que um treino lento e suave como o do primeiro encadeamento da laojia o vá tornar forte e rápido. Mas se estiver sob orientação adequada, vai tornar-se claro muito cedo que o treino parece suave porém é fisicamente pesado, e que qualquer exercício estranho ao sistema é um desperdício de tempo que poderia ser investido no treino do que é o seu objectivo final: desenvolver força interna. " (adapt.)

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Espero que se tenha sentido esclarecido/a face a esta temática, conforme enunciada acima, e, sobretudo, relativamente a certa mistificação que ainda persiste, mesmo junto de alguns que a iniciaram_ou, por outro lado, não o fazem, por não saberem ao certo o que está em causa. Quanto a mim: não há como experimentar, fazer, não esperar nada a não ser saber que está a tratar de si...mas deixar-se surpreender.


É tudo a ganhar!