26/10/2008

TAIJI e PROFICIÊNCIA II _ OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO TAIJIQUAN _ PARTE II

TAIJI e PROFICIÊNCIA II

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OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO


TAIJIQUAN _ PARTE II




Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...
Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.
Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line.





"Os cinco níveis de habilidade no taijiquan
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(parte II)
(reprodução)


O segundo nível de gongfu (kung fu)
O nível começando do último estágio do primeiro nível, quando o praticante pode sentir o movimento da energia interna qi, e que vai até o estágio inicial do terceiro nível, é chamado de segundo nível de gongfu (kung fu). O segundo nível de gongfu (kung fu) consiste em reduzir defeitos como: força jin rígida produzida durante a prática; força em excesso ou insuficiente e movimentos mal coordenados. O objectivo disto é garantir que a energia interna qi mover-se-á sistematicamente no corpo de acordo com as exigências de cada movimento. Eventualmente isto deve resultar no fluxo suave do qi dentro do corpo e numa boa coordenação do qi interno com os movimentos externos.
Após conquistar o primeiro nível de gongfu (kung fu), deve-se ser capaz de praticar com facilidade de acordo com os requisitos preliminares dos movimentos. O estudante é capaz de sentir o movimento da energia interna. No entanto, o estudante pode não ser capaz de controlar o fluxo de qi no corpo. Há duas razões para isto: primeiramente, o estudante não dominou precisamente os requisitos específicos para cada parte do corpo e a sua coordenação. Como um exemplo, se o peito estiver excessivamente relaxado para baixo, a cintura e as costas poderão não estar rectas, ou se a cintura estiver relaxada demais o peito e as nádegas podem ficar protuberantes. Assim, deve-se garantir estritamente que os requisitos para cada parte do corpo sejam obedecidos de modo que estas se movam em uníssono. Isto permitirá que o corpo se “feche” ou se una de uma maneira coordenada (que significa união coordenada externa e interna. União interna implica a união coordenada de: coração e mente, energia interna e força, tendões e ossos. União externa dos movimentos implica união coordenada de: mãos e pés, cotovelos e joelhos, e quadris e ombros). Simultaneamente deve haver um movimento de fechar igual e oposto de uma outra parte do corpo e vice-versa. Movimentos de abrir e fechar vêm juntos e complementam-se mutuamente. Secundariamente, quando praticando pode-se achar difícil controlar diferentes partes do corpo simultaneamente. Isto significa que uma parte do corpo pode estar se movendo mais rapidamente que as outras, o que resulta em exercer excesso de força; ou que uma parte pode estar se movendo mais lentamente que as outras ou sem força suficiente, o que resulta em não exercer força suficiente. Ambas as situações contradizem o princípio do taijquan. É requerido que todos os movimentos no taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) Chen não se desviem do princípio de ‘força de espiralar a seda’ ou chansijing. De acordo com a teoria do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), o ‘chansijing origina-se dos rins e em todo momento é encontrado em todas as partes do corpo’. No processo de aprender taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), o método de movimento de espiralar a seda (isto é, o método de movimento de torcer e espiralar) e a força de espiralar a seda (isto é, a força interna produzida pelo método de movimento de espiralar a seda), podem ser estritamente dominados através do relaxamento dos ombros e cotovelos, peito e cintura tanto quanto da região do huiyin e dos joelhos e usando a cintura como um pivô para mover todas as partes do corpo [nota do tradutor: neste contexto e a seguir, “cintura” refere-se ao centro do corpo, e não ao que chamamos de cintura no Ocidente]. Começando com uma rotação das mãos no sentido inverso, as mãos guiam os cotovelos que por sua vez guiam os ombros que por sua vez guiam a cintura (a parte da cintura correspondente ao lado do ombro que está sendo movimentado. Na verdade, o fato é que a cintura ainda é o pivô do movimento). Por outro lado, se as mãos giram no sentido directo, a cintura deve mover os ombros, os ombros movem os cotovelos, e os cotovelos por sua vez movem as mãos. Para a metade superior do corpo, os punhos e braços devem aparentar estarem girando; enquanto que para a metade inferior do corpo o tornozelo e a coxa devem parecer estarem rodando; enquanto o tronco, a cintura e as costas devem parecer estarem virando. Combinando os movimentos das três partes do corpo devemos visualizar uma curva rodando no espaço. Esta curva origina-se nas pernas, tem o centro na cintura e termina nos dedos. Na prática da forma, se alguém se sente desajeitado durante um movimento, deve ajustar a cintura e as coxas de acordo com a sequência de fluxo do chansijing para atingir coordenação. Desta maneira, qualquer erro pode ser corrigido. Assim, enquanto presta atenção aos requisitos para cada parte do corpo para atingir total coordenação do corpo todo, o domínio do ritmo do método de movimento de espiralar a seda e da força de espiralar a seda é a maneira de resolver conflitos e auto-corrigir qualquer erro ao praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) após atingir o segundo nível de gongfu (kung fu).
No primeiro nível de gongfu (kung fu), começa-se aprendendo as formas, e quando se está familiarizado com as formas, o estudante pode sentir o movimento da energia interna no corpo. O estudante pode ficar muito entusiasmado e nunca sentir-se cansado ou entediado. No entanto, ao entrar no segundo nível de gongfu (kung fu), o estudante pode sentir que não há nada de novo para aprender e ao mesmo tempo enganar-se quanto a certos pontos importantes. O estudante pode não ter dominado estes pontos principais com precisão e assim achar os movimentos destes desajeitados. Ou, por outro lado, o estudante pode achar que pode praticar a forma fluidamente e expressar força com muito vigor, mas não consegue aplicá-la durante o tuishou. Por causa disso, pode sentir-se entediado em breve, perder a auto-confiança e desistir totalmente. A única maneira de atingir o estágio onde se consegue: produzir a quantidade certa de força, nem muito macia nem muito dura; mudar as acções segundo se deseja; e girar com facilidade, é ser persistente e aderir estritamente aos princípios. Deve-se treinar duro a forma para que os movimentos do corpo estejam bem coordenados, e com ‘um único movimento pode-se activar movimentos em todas as partes do corpo’, estabelecendo então um sistema completo de movimentos. Há um ditado comum: ’se o princípio não é claramente compreendido, consulte um professor, se o caminho não é claramente visível, busque ajuda de amigos’. Quando os princípios e os métodos são claramente compreendidos, com a prática constante eventualmente o sucesso será obtido. Os clássicos do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) afirmam que ‘todos podem atingir o supremo, se se trabalhar arduamente”. E “se se persistir, finalmente atingir-se-á a transformação súbita”.
Geralmente, a maioria das pessoas pode adquirir o segundo nível de gongfu (kung fu) em aproximadamente quatro anos. Quando se atinge o estádio de poder experimentar um fluxo contínuo de qi no corpo, subitamente compreende-se o comando do qi totalmente. Quando isto acontece, fica-se cheio de entusiasmo e confiança e continua-se praticando. Pode-se mesmo sentir uma vontade forte de praticar continuamente, sem parar.
No início do segundo nível de gongfu (kung fu) a habilidade marcial atingida é aproximadamente a mesma que no primeiro nível de gongfu (kung fu). Ela não é suficiente para aplicação real. No final do segundo nível de gongfu (kung fu) está-se próximo de atingir o terceiro nível de gongfu (kung fu), e assim a habilidade marcial pode ser aplicável em uma certa extensão.
Os próximos parágrafos descrevem a habilidade marcial que seria atingível no meio do segundo nível de gongfu (kung fu) (assim como nos artigos seguintes para o terceiro, quarto e quinto níveis de gongfu (kung fu). Eles são discutidos com referência à habilidade atingível no meio de cada nível).







tuishou e a prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) são inseparáveis. Quaisquer defeitos que se tenha na prática da forma aparecerão como fraquezas durante o tuishou, dando oportunidade ao oponente de aproveitar-se delas. Por causa disto, ao praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) todas as partes do corpo devem estar bem coordenadas com o resto, e não deve haver quaisquer movimentos desnecessários. O tuishou requer que repelir, agarrar, pressionar e empurrar para baixo sejam executados tão precisamente que as partes superior e inferior do corpo movam-se coordenadamente e então seja difícil para o oponente atacar. Como diz o ditado, ‘não importa quão grande seja a força sobre mim, eu mobilizo quatro onças de força para deflectir mil libras de força’. O segundo nível de gongfu (kung fu) almeja atingir um fluxo contínuo de qi no corpo através da correcção das posturas de modo a atingir o estádio no qual o qi penetre todo o corpo passando por todas as juntas como se estivesse sequencialmente ligado. No entanto, o processo de ajustar as posturas envolve movimentos desnecessários ou descoordenados. Assim, nesse estádio, não é possível aplicar a habilidade marcial à vontade durante o tuishou. O oponente concentrar-se-á em procurar por estas fraquezas, ou ele pode ganhar ao surpreender o praticante cometendo erros como forçar em excesso, colapsar, atirar e confrontar força. Durante o tuishou, o avanço do oponente não permitirá que se tenha tempo para ajustar os próprios movimentos. O oponente fará uso do seu ponto fraco para atacar de modo que se perca o equilíbrio ou se seja forçado a recuar para repelir a força que avança. No entanto, se o oponente avança com menos força ou mais lentamente, pode haver tempo ou oportunidade para fazer ajustes e pode ser possível repelir o ataque de maneira mais satisfatória. Da discussão acima, para o segundo nível de gongfu (kung fu), depreende-se que quando se está atacando ou bloqueando um ataque, muito esforço é necessário. Frequentemente será uma vantagem fazer o primeiro movimento, aquele que se move depois estará em desvantagem. Neste nível, não é possivel ‘esquecer-se’ de si mesmo e ‘jogar com o oponente’ (não atacar mas ceder ao movimento do oponente); não é possível aproveitar uma oportunidade e responder à mudança. Pode-se ser hábil o suficiente para se mover e repelir um ataque, mas pode-se cometer erros facilmente como atirar, colapsar, forçar em excesso ou confrontar força. Por causa disso, durante o tuishou, não é possível mover-se de acordo com a sequência de repelir, agarrar, pressionar e empurrar para baixo. Alguém com este nível de habilidade é descrito como ‘20% yin, 80% yang: um novato indisciplinado’. " (Publicado em 31.08.04)



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