25/08/2008

TAIJI e PROFICIÊNCIA: Os cinco níveis de habilidade no Taijiquan - Parte I

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TAIJI e PROFICIÊNCIA:







Os cinco níveis de habilidade no



Taijiquan



- Parte I

Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...


Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.


Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line.





Os cinco níveis de habilidade
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no Taijiquan

Parte I




Introdução

"Aprender taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é em princípio semelhante a educar-se; progredindo da educação primária à universidade, quando se adquire cada vez mais conhecimento. Sem os fundamentos da educação primária e secundária, não é possível acompanhar os cursos no nível universitário. Para aprender taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) é necessário começar do elementar e progredir gradualmente para o estágio adiantado, de nível em nível e de uma maneira sistemática. Se alguém vai contra este princípiimaginando que é possível tomar um atalho, não obterá sucesso. Todo o progresso na aprendizagem do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), desde o início até a obtenção do sucesso consiste em cinco estágios ou cinco níveis de habilidade marcial (gongfu (kung fu)). Existem padrões objectivos para cada nível de gongfu (kung fu). O mais alto é atingido no quinto nível.
Os padrões objectivos e os requisitos de habilidade marcial para cada nível de gongfu (kung fu) serão descritos nas secções seguintes. Espera-se que com isto os muitos entusiastas por todo o mundo possam avaliar por si mesmos o seu nível actual de realização. Eles saberão então o que precisam aprender a seguir e avançarão passo a passo.


O primeiro nível de gongfu (kung fu)

Na prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), os requisitos para as diferentes partes do corpo são: manter o corpo recto; manter a cabeça e o pescoço erectos com consciência do topo da cabeça, como se se estivesse sendo levemente levantado por um fio; relaxar os ombros e afundar os cotovelos; relaxar o peito e a cintura deixando que eles afundem; relaxar a região do huiyin e flexionar os joelhos. Quando estes requisitos são atingidos, a energia interna da pessoa naturalmente afunda para o dantian. Principiantes podem não conseguir dominar estes pontos importantes inicialmente. No entanto, na sua prática eles devem tentar ser precisos em termos de direcção, ângulo, posição, e dos movimentos das mãos e das pernas para cada postura. Neste estágio, não é necessário enfatizar demais os requisitos para cada parte do corpo, simplificações apropriadas são aceitáveis. Por exemplo, para a cabeça e a parte superior do corpo, é requerido que a cabeça e o pescoço estejam erectos, o peito e a cintura relaxados para baixo, mas no primeiro nível de gongfu (kung fu) é suficiente certificar-se de que a cabeça e o corpo estão naturalmente erectos, sem inclinar-se para a frente nem para trás, para a esquerda ou para a direita. Isto é como aprender caligrafia, no início é necessário apenas certificar-se de que os traços estejam certos. Portanto, quando praticando taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), no início o corpo e os movimentos podem parecer rígidos, ou “externamente sólidos mas internamente vazios”. O praticante fazer coisas como: bater com dureza, bater com força, subir repentinamente, ou colapso repentino do corpo ou tronco. Pode haver ainda força ou jin quebrada ou exercida em exagero. Todos estes erros são comuns para principiantes. Se se é suficientemente persistente e se se pratica com seriedade todos os dias, pode-se normalmente dominar a forma em um ano. A energia interna, qi, pode gradualmente ser induzida a mover-se dentro do tronco e dos membros através de refinamentos nos movimentos. Pode-se então atingir o estágio de ‘usar os movimentos externos para canalizar a energia interna’. O primeiro nível de gongfu (kung fu) então começa com dominar as posturas e vai gradualmente até ser capaz de perceber e compreender o jin ou força.

A habilidade marcial alcançável com o primeiro nível de gongfu (kung fu) é muito limitada. Isto porque neste estágio as acções do praticante não são bem coordenadas e sistemáticas. As posturas podem não ser correctas. Assim a força ou jin produzida podem ser rígida, quebrada ou frouxa, ou por outro lado forte demais. Ao praticar a forma, esta pode parecer oca ou angulosa. Deste modo o praticante pode sentir a energia interna mas não é capaz de canalizá-la para qualquer parte do corpo de uma só vez. Consequentemente ele não será capaz de apreender a força ou jin desde os calcanhares, canalizá-la pelas pernas e descarregá-la pelo comando da cintura. Pelo contrário, os principiantes podem apenas produzir força que transborda de uma secção para outra do corpo. Assim o primeiro nível de gongfu (kung fu) é insuficiente para a finalidade de aplicação marcial. Se o praticante fosse testar sua habilidade contra alguém que não conhecesse artes marciais, ele poderia permanecer flexível até um certo ponto. Ele poderia não ter dominado a aplicação mas por saber como iludir seu oponente poderia ocasionalmente derrubá-lo. Mesmo assim, ele poderia ser incapaz de manter seu equilíbrio. Esta situação é chamada de “10% yin e 90% yang, bastão pesado no alto”.
O que então exactamente é yin e yang ? No contexto da prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), vazio é yin, solidez é yang; suavidade e macieza são yin, força e dureza são yang. yin e yang é a unidade dos opostos; nenhum deles pode ser deixado de fora; e ainda ambos podem ser mutuamente transformados e intercambiados. Se nós atribuirmos um máximo de 100% para medir cada um deles, quando alguém em sua prática consegue atingir um equilíbrio equitativo de yin e yang, diz-se que atingiu 50% de yin e 50% de yang. Este é o padrão mais alto ou uma indicação de sucesso na prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). No primeiro nível de gongfu (kung fu), é normal que se tenha “10% de yin e 90% de yang“. Isto é, o seu quan ou box é mais duro do que macio e existe desequilíbrio entre yin e yang. Desta forma, enquanto ainda no primeiro nível, os aprendizes não devem ficar ansiosos em compreender o aspecto da aplicação de cada postura. "
Em: " Os cinco níveis de habilidade no Taijiquan" _ Eduardo Molon (adapt.)





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