30/11/2008

TAIJI e PROFICIÊNCIA III _ OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO TAIJIQUAN _ PARTE III

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TAIJI e PROFICIÊNCIA III



OS CINCO NÍVEIS DE HABILIDADE NO

TAIJIQUAN _ PARTE III


(repr.)




Tal como tenho explicado neste blogue, em páginas anteriores, a minha adesão e dedicação às práticas de Qigong e Taiji não têm enquadramento de certificação por meios institucionalizados ou normativamente reconhecidos. Apenas posso falar sobre a minha experiência própria na prática regular e ou diária, consoante os temas ou actividades abordados, o que não me confere rigor para além de capacidade de opinião. Contudo, estas actividades requerem controle, pelo menos no início, de quem se responsabilize pelas práticas de novos iniciados. O meu interesse levou-me a procurar leituras e pesquisas para maior informação e formação do que a que consegui obter no local de aprendizagem da execução de formas. E tal como referi anteriormente, uma dessas fontes tem sido a que fornece informação com capacidade de explicitação, tal como eu gostaria de ter encontrado e sido conformemente industriada...

Claro que existem muitas ramificações de especializações, chamemos-lhes assim, eufemisticamente, e algumas delas _ e só algumas _ conseguem apresentar uma hierarquização das capacidades ou faseamento e progressão das habilidades conseguidas ou a obter, ao longo de uma aprendizagem sistematizada.

Neste espaço, tenho a prerrogativa da escolha, dentro do horizonte possível de opções em aberto e em oferta, e ela continua a recair sobre Eduardo Molon, discípulo do Grão-Mestre Chen Xiaowang e com referências que podem ser facilmente encontradas aqui perto, on line.





"O terceiro nível de gongfu (kung fu)



“Se deseja melhorar na sua forma, tem que praticar para tornar os seus círculos menores”. Os degraus na prática do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) Chen envolvem progredir do domínio do círculo grande para o domínio do círculo médio, e do círculo médio para o círculo pequeno. A palavra “círculo” aqui não significa o caminho resultando dos movimentos dos membros, mas sim o fluxo harmonioso do qi. Neste sentido, o terceiro nível de gongfu (kung fu) é um estágio em que se começará com círculos grandes e se terminará com círculos médios (na circulação do qi).
O Clássico do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) mencionava que “yi e qi são superiores às formas”, o que significa que ao praticar taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) deve-se colocar ênfase em usar yi (consciência). No primeiro nível de gongfu (kung fu), a mente e a concentração do praticante estão principalmente em aprender e dominar as formas externas do taijiquan (taichichuan, tai chi chuan). No segundo nível de gongfu (kung fu), o praticante deve se co
ncentrar em detectar conflitos ou descoordenação entre membros e o corpo e entre os movimentos externos e internos. Deve-se ajustar o corpo e as formas para assegurar um fluxo suave da energia interna qi. Quando progredindo para o terceiro nível de gongfu (kung fu), o praticante já deve ter a energia interna fluindo suavemente: o que é requerido é yi e não força bruta. Os movimentos devem ser leves mas não “flutuando”, e pesados mas não desajeitados. Isto implica que os movimentos aparentem maciez mas a força interna seja na verdade forte, ou que haja força implícita nos movimentos macios e que o corpo todo seja bem coordenado e que não existam movimentos irregulares. No entanto, não se deve prestar atenção apenas ao movimento do qi no corpo e negligenciar as acções externas, sob pena de parecer-se estar num transe e como resultado o fluxo interno do qi não apenas ficaria obstruído mas poderia também ser dispersado. Assim, como está escrito nos Clássicos sobre taijiquan (taichichuan, tai chi chuan), “a atenção deve estar no espírito e não somente no qi, com excesso de ênfase no qi haverá estagnação (do qi)”.
Um praticante pode ter dominado as formas externas entre o primeiro e o segundo níveis de gongfu (kung fu), mas ele pode não ter atingindo a coordenação entre os movimentos externos e os internos. Algumas vezes, devido à rigidez ou estagnação das acções, não é possível inspirar completamente. Por outro lado, sem a coordenação apropriada entre os movimentos externos e internos, não é possível expirar completamente. Por isto, quando praticando a forma deve-se respirar naturalmente. Após entrar no terceiro nível de gongfu (kung fu) há uma melhor coordenação entre os movimentos externos e os internos. Assim, geralmente as acções podem ser sincronizadas com a respiração bastante precisamente. No entanto, é necessário sincronizar conscientemente a respiração com os movimentos para algumas acções mais rápidas, complicadas e refinadas. Isto é para melhor assegurar a coordenação entre a respiração e as acções de modo que ela gradualmente instale-se de modo natural.

O terceiro nível de gongfu (kung fu) envolve basicamente dominar os requisitos externos e internos do estilo Chen de taijiquan (taichichuan, tai chi chuan) e o ritmo do exercício tanto quanto a habilidade de auto-correcção. O praticante pode também ser capaz de comandar as acções com mais facilidade e deverá possuir mais energia interna qi. Neste nível, é necessário compreender melhor a habilidade de combate implícita em cada forma e sua aplicação. Por isto, é necessário praticar tuishou, e verificar nas formas a qualidade e quantidade de força interna e a expressão da força tanto quanto a dissolução da força. O praticante adquire mais confiança conforme continua a praticar arduamente. Ele pode então aumentar sua rotina de exercícios e adicionar práticas complementares como bastão longo, espada ou sabre, lança e o exercício com a estaca, e praticar fajin (expressão da força). Com dois anos de prática contínua desta maneira, geralmente pode-se atingir o quarto nível de gongfu (kung fu).

Com o terceiro nível de gongfu (kung fu), embora haja um fluxo harmonioso da energia interna qi e as acções sejam melhor coordenadas, o qi ainda é fraco e a coordenação entre os movimentos dos músculos e o funcionamento dos órgãos internos não está suficientemente estabelecida. Enquanto praticando sozinho sem perturbações externas, o praticante pode conseguir coordenação entre o externo e o interno. Durante o tuishou de confronto e durante o combate, se a força do oponente é mais fraca e mais lenta, o praticante pode ser capaz de acompanhar o oponente e mudar as próprias acções de acordo, e de aproveitar quaisquer oportunidades para levar o oponente a uma situação desvantajosa; ou de evitar os movimentos firmes do oponente e de atacar quando houver qualquer fraqueza deste, manobrando com facilidade. No entanto, ao encontrar um oponente mais forte, o praticante pode sentir que seu pengjin é insuficiente, e que há uma sensação de que a própria postura está sendo pressionada e está prestes a colapsar (isto pode destruir a postura infalível, que se supõe ser impossível de inclinar ou declinar, e que é apoiada por todos os lados), e não pode manobrar conforme sua vontade. O estudante pode não atingir o que os Clássicos descrevem como “bater com os punhos sem que estes sejam vistos; uma vez visíveis, é impossível manipular”. Mesmo nas acções de dirigir para dentro e de expelir para fora o oponente, o estudante pode sentir-se rígido e muito esforço é necessário. Desta forma este estágio é descrito como “30% yin, 70% yang, ainda no lado duro”.
(este artigo foi publicado por Eduardo M. em13.12.04 / 21h )